sexta-feira, 27 de junho de 2014

Colunista americana critica interesse dos EUA no futebol: "declínio moral da nação"


Da Redação (redacao@correio24horas.com.br)



Que essa Copa do Mundo vem gerando um grande interesse nos EUA já não é novidade. O país, onde o futebol costuma ficar em segundo plano em relação a outros esportes como futebol americano, beisebol e basquete, tem assistido sua seleção nacional como nunca. Mas nem todos aprovam a recente onda de interesse no esporte. Para a comentarista política Ann Coulter o interesse no futebol, um "esporte estrangeiro", deve ser visto como "um sinal do declínio moral da nação".

A colunista, que faz parte de uma ala da direita mais radical, usou sua coluna para fazer duras críticas ao esporte. Ela chega a dizer que o futebol não pode ser considerado um esporte verdadeiro por não permitir uso das mãos e terminar muitas vezes em empate sem gols. Diz ainda que é uma moda estrangeira, trazida por imigrantes, e que "nenhum americano cujos bisavós nasceram no país está assistindo ao futebol". "Só podemos ter esperança de que, além de aprender inglês, esses novos americanos deixem seu fetiche por futebol com o tempo".

Para Coulter, ainda, o futebol não tem "glória individual". "A culpa é compartilhada e quase ninguém marca pontos. Não há heróis, não há perdedores (...) Todo mundo corre para frente e pra trás no campo e, eventualmente, uma bola entra no gol", diz, classificando o esporte de entediante. "Se Michael Jackson tivesse tratado sua insônia crônica com um VT de Brasil x Argentina, ele ainda estaria vivo, embora entediado".

Leia o texto da colunista (em inglês)

Coulter defende também que a cobertura da mídia americana sobre a Copa tem exagerado ao dizer que o esporte tem ficado mais popular. "As mesmas pessoas tentando empurrar futebol na garganta dos americanos são as que dizem que devemos gostar da série Girls, de bondinhos, de Beyoncé e Hillary Clinton. O número de reportagens do New York Times alegando que futebol está 'em alta' só é menor do que aqueles fingindo que basquete feminino é fascinante".

A coluna foi publicada antes da partida entre EUA e Alemanha que, mesmo com a derrota, classificou os americanos para as oitavas de final da Copa. Segundo a ESPN, a partida da seleção contra Portugal, na rodada anterior, teve mais de 18 milhões de telespectadores nos EUA, um recorde.


Críticas
A coluna recebeu respostas. A analista da Forbes Maury Brown escreveu uma coluna com o título "Como Ann Coulter perdeu a cabeça por causa da Copa do Mundo". Já Dan Hancox, do britânico The Guardian, criticou os motivos elencados por Coulter para não gostar de futebol. "Suas razões para odiar o futebol são muitas e hilárias, principalmente: o popular jogo da bola redonda parece mostrar todos os indicadores de socialismo. O New York Times gosta dele. É estrangeiro. Estrangeiros gostam dele. Obama gosta dele. Para conservadores como Coulter, as guerras culturais nunca param".



Torcida durante jogo dos EUA contra Gana na primeira fase (Foto: AFP)


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